Escuta Radical

  • A Escuta Radical começa com presença e tempo no território. Equipes escutam sem pressa, por meio de conversas abertas, visitas às casas, reuniões comunitárias e caminhadas pela floresta, guiadas por lideranças locais. Tudo parte de uma pergunta simples: O que a comunidade precisa para viver bem hoje e no futuro?

  • Escutar de verdade, sem interferir, sem direcionar, sem supor. A prioridade é compreender como a crise climática afeta a vida na prática. O que é repetido por muitas famílias e lideranças vira prioridade coletiva. As necessidades deixam de ser relatos individuais e se tornam um diagnóstico comunitário legítimo.

  • Profissionais e comunidade co-criam soluções, combinando ciência e conhecimento local. A Escuta Radical não substitui os saberes existentes; ela traduz o que já está vivo no território para que o apoio chegue de forma ética, útil e sustentável.

Articulação Institucional e Territorial

Conectamos soluções comunitárias às políticas públicas, bem como ao financiamento climático e para a biodiversidade, atuando de forma técnica e estratégica como ponte institucional, sempre garantindo que o protagonismo das decisões permaneça com os povos.

Trabalhamos em parceria com governos municipais e secretarias de saúde para ampliar o acesso ao sistema público em áreas remotas, integrando ações de campo ao Sistema Único de Saúde. Também fortalecemos a formação e a pesquisa aplicada com universidades parceiras, como a Universidade Federal do Pará.

Dialogamos com financiadores climáticos e fundos éticos que priorizam soluções de base comunitária, apoiando planos territoriais construídos localmente com lideranças e associações, como a Rede Terra do Meio. Nosso objetivo é simples: fortalecer o território, o bem viver e a saúde de quem vive nele.

Saúde

Levamos atendimento a regiões remotas por vias terrestres e fluviais,   atuando com equipes multiprofissionais em atenção primária de maneira resolutiva, integrando consultas médicas e de enfermagem, atendimento odontológico, imunização, exames laboratoriais e fornecimento de medicamentos essenciais. A extensão territorial do cuidado é mantida aliando a Telemedicina, remoções em casos de emergência e acompanhamento dos moradores quando buscam atendimentos de maior complexidade na área urbana, garantindo agilidade no acesso e menor tempo longe das comunidades.

Com as comunidades e parceiros, influenciamos o governo na construção de políticas públicas para o atendimento à saúde da população e criamos em parceria com a UFPA um espaço ambulatorial no Hospital Municipal de Altamira para atender Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais.

Essas populações são parte essencial da estabilidade socioambiental da Amazônia. Prover cuidado em saúde no território não é apenas uma ação assistencial, é uma condição para reduzir iniquidades, evitar o agravamento de quadros clínicos e assegurar o direito ao cuidado a quem vive em regiões historicamente desassistidas pelo sistema de saúde, ao mesmo tempo em que reconhecemos o papel dessas comunidades na saúde do planeta como um todo.

Clima e Saúde

A crise climática já impacta diretamente a saúde das populações da Amazônia e também afeta o equilíbrio do planeta como um todo. Secas extremas, aumento das queimadas, mudanças no regime dos rios e a degradação da floresta afetam o acesso à água, à alimentação, à mobilidade e aos serviços de saúde das comunidades.

Por isso, a SAMA atua na conexão entre clima e saúde, fortalecendo sistemas de saúde nos territórios, apoiando monitoramento ambiental e contribuindo para que as soluções climáticas nasçam das próprias comunidades. Ao promover o bem estar das populações tradicionais e indígenas, também fortalecemos a proteção da floresta e contribuímos para o equilíbrio climático do planeta.

Economia da Floresta

Fortalecemos cadeias produtivas sustentáveis que valorizam saberes ancestrais, garantindo renda local sem devastação ambiental.

As principais ações incluem o apoio ao manejo sustentável, beneficiamento da castanha, extração de óleos nativos amazônicos, criação de novos produtos da sociobiodiversidade a partir do conhecimento local aliado à tecnologia, o fomento à comercialização de produtos florestais não madeireiros, o fortalecimento do artesanato tradicional e o diálogo técnico com compradores, investidores e parceiros para ampliar o acesso a mercados e relações comerciais mais equitativas.

Junto à Rede Terra do Meio, a SAMA apoia o acesso à Política de Aquisição de Alimentos, que promove o fomento a uma alimentação saudável, retorno financeiro e a valorização de práticas e saberes tradicionais.

Esse eixo aumenta a autonomia econômica das populações tradicionais, reduz pressões por atividades predatórias, reforça a segurança alimentar, melhora a previsibilidade de renda e incorpora a conservação florestal como um componente estrutural do cotidiano produtivo. Ao fortalecer a economia local, fortalecemos também a permanência saudável dessas populações em seus territórios, onde a floresta é base de vida e de trabalho.